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Trilha para o final do dia

(Aaron Jasiski)
Close Your Eyes
Composição: Bebel Gilberto, Dinho Ouro Preto e Béco Dranoff
You know you can feel the breeze with patience of a lifetime Dance above the trees to the rhythm in your mind Gently touching your skin inside out Floating on the seas, it carries me around
You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone
Penso em você, sinto um gosto de mar Nos grãos de areia, e eu a rolar Vou rodar o mundo, mas aqui é o meu lugar Eu vou rodar o mundo mas aqui é o meu lugar
You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone
Since the day I left, from the start I can feel megabytes of memories in my heart Wish I disappear and wake up in some other place Where there?s no pain or fear, is simple like 'Hello'
You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone You can close your eyes and never be alone
Escrito por Crib Tanaka às 16h31
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Dor de sorvete

(Aaron Jasinski)
O melhor do Chicabon é quando ele chega ao final e o gosto da madeira vem junto com os pedaços de chocolate derretendo.
Dor de sorvete. Gelada, cítrica, queima e arde a língua. Congela as palavras, dói quando desce na garganta. Quando escorrega, dá ponta de dor de cabeça.
Quando pequena, colecionava os palitos do picolé. Com muitos, trocava-se por nem lembra mais o quê. Lembra de uma espécie de penteadeira-baú que fez, na escola, para o Dia das Mães: a portinha era móvel, como uma persiana, retrátil. Teve até pena de dar de presente, queria para ela. Mas, quando viu a mãe chorar e rir, com as bochechas tão rosas ao ver o presente, passou-o de mão.
Depois do presente, bolo, pipoca, músicas em conjunto, foram embora, mãos dadas, mais cedo do que a saída do horário normal. Já no carro, o cheiro de casa. E na casa, aquele cheiro de arroz, feijão, carne moída. E depois, o shampoo suave, a toalha macia, a cama quente.
Andando para o trabalho, de repente viu-se de mãos vazias, sem sorvete, sem saídas às 17h, sem cheiros familiares no almoço. Sem brinquedos feitos com palitos, sem toalhas, sem suavidades. Sem casa.
16:32 - publicado por Crib Tanaka
Escrito por Crib Tanaka às 15h33
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No Cronópios
Publique-se - http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=147 Novos autores lançam mão de Internet para mostrar sua produção. Por Crib Tanaka.
Lirismo árido - http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=150 Nossa correspondente Crib Tanaka escreve sobre João Filho e seu livro Encarniçado.
Escrito por Crib Tanaka às 15h49
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Da separação pelas proximidades

Eu quis dizer e você me parou no meio, na hora em que eu ia dizer que e você falou: pára de falar, eu quero ouvir a música, quero ouvir bem alto e aumentou o volume do rádio e os informes eram anunciados automaticamente, aqui é só sucesso, ligue no seu dial, chã, patinho e lagarto. Eu não conseguia dizer que e você punha as mãos em forma de concha nos ouvidos e emendava as frases num lalalalalalalalalalalalalaaalala. E andava de um lado para o outro. E eu só querendo dizer que e você correndo, para longe, se trancando no quarto, se enfiando de baixo da cama, como criança que não quer tomar banho, ir para o colégio, comer brócolis, fazer dever de casa. E eu batendo na porta, pedindo sai daí, sai daí, sai daí, anda. E minhas mãos doendo e eu cansada, o corpo cedendo, a cabeça pesando. E a única coisa que eu queria dizer era que eu te amava. Mas, isso você nunca quis ouvir.
14:02 - publicado por Crib Tanaka
Escrito por Crib Tanaka às 13h03
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Os ventos andam soprando demais

(Aaron Jasinski)
look outono/inverno
pensou em virar março. estação outono de si seria o melhor a se fazer. vestiu cinza da cabeça aos pés e misturou-se às vitrines. bastou a flor que derrubaram em seu cabelo para virar a peça mais cool do momento. a idéia era ficar imune às nuances. andou rápido e misturou-se às folhas secas do parque. cobertor. puxou do lado para cima. logo ficou seca, cheia de veios e com textura áspera. pisaram-na. virou duas. virou conjunto de peças independentes, look inovador. até hoje pensa na vitrine. a flor tinha encaixado bem. não tinha percebido na época. roupa de tempo que estava, era agora nova estação.
17:31 - publicado por Crib Tanaka
Escrito por Crib Tanaka às 16h33
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Era uma vez

(John Singer Sargent)
Se eu deitasse na relva, rolasse e as folhas entrassem como tiara no meu cabelo, estaria pronta a ser uma Scarlet, uma Bela Adormecida dos campos, algo assim. Mas, acham que nasci para ser coadjuvante, cenário, ponta. Quando filmaram o plano com a grande angular, pude ver meus dedos no canto, à esquerda, simulando um ondular. Não sei o que passou pela minha cabeça na hora. Me senti meio ninfa e como as ninfas não ficam com as mãos paradas, simulei uma “conversa” com o vento, com as águas, com um elemento desses quaisquer. Não colou. O diretor mandou pára, pára, filma de novo! A mão dela ali apareceu. Garota, chega para lá! Ok, desculpa, doutor. Continuei varrendo o set de filmagem, enquanto, recitava, baixinho, Shakespeare. Faço isso todo dia. Sempre acham que estou cantarolando alguma música de igreja. Não sabem de nada, nunca leram Macbeth, Sonhos de uma noite de verão, Hamlet. Eu faço meu trabalho direito, não há um tiquinho de poeira que seja em algum camarim. Não há uma roupa que eu não tenha provado em um camarim. Acho que sou um roteiro pronto a ser filmado. Só falta me descobrirem. Close em mim, por favor.
16:07 - publicado por Crib Tanaka
Escrito por Crib Tanaka às 15h04
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